Semana 13 - Aparo e raposa por partes

Lua cheia.

Fiz as pazes (por um dia) com o aparo. 

A proposta desse desenho (de 2h) era fazer as texturas do que estávamos vendo com a tinta da china, modelando as formas como se fosse passar a mão no objeto. O objeto no meu caso foi a raposa, para variar. Já nos conhecemos muito bem e hoje em especial ela me olhou muito nos olhos, e eu também fiquei olhando ela antes de começar o desenho. Quando comecei, tentei fazer um percorrido como se fosse um zoom em cada parte do corpo, levantando para ver o detalhe, descendo para o papel para fazer a linha, no movimento que o pêlo fazia, pouco a pouco. E pensei "azar se eu não fosse terminar", decidi que não ia querer finalizar o desenho rápido como terça-feira, quando senti que o aparo "fugiu" da minha mão. E esse foi nosso negócio. Assim, hoje me concentrei muito mais em cada detalhe que eu via, deixando só as luzes sem preencher. E das partes foi nascendo um pequeno "todo", que era também uma parte. Em alguns momentos, parecia que só existia a parte da raposa, o papel, e a tinta que descia do aparo.

O aparo requer tanta paciência, então acho que fazer essa raposa me ajudou a criar de novo essa relação de contemplação e calma na hora de usá-lo. Hoje senti que aceitei o jeito que o material funciona e experimentei me entregar ao que ele proporciona, que é esse detalhe e cuidado todo. O professor falou que o resultado ficou quase como desenho científico, onde o foco fica realmente em uma parte do objeto, para depois passar para outro, e outro. É, acho que hoje fui bem indo por partes.

PS.: Fiquei pensando depois que desenho científico com animais não-empalhados deve ser difícil para cac*** já que o animal nunca fica paradinho para fazer o desenho lentamente que nem a raposa de hoje. 



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